segunda-feira, 25 de abril de 2011

Meia verdade


Após o banho, Nina está em cima da cama esperando o pai para ajudá-la na missão de se vestir. Vasculhando na gaveta da cômoda colorida ele não conseguia encontrar o pé que completava o par de meias. Impaciente e pensando no relatório que tinha que terminar sem falta, ainda aquela noite, resolveu pegar qualquer uma mesmo. ­­

– Pai essa meia não é igual a outra.

–Não tem problema filha. O importante é manter os pés aquecidos.

–Eu não quero uma meia diferente, quero duas iguais.

Ciente de que a pequena não se convenceria facilmente ele foi até a secadora de roupas na esperança de encontrar o par perdido. Achou diversas meias, mas nenhuma que casasse conforme o desejo da menina.

Pensou no que acontecia com as meias que somem das gavetas, tanques, máquinas de lavar, varais e cestos de roupa suja. Com ele não era diferente, por mais cuidadoso que fosse era comum não encontrar o par completo. O mistério maior era para onde elas fugiam?

De repente lhe veio uma lembrança de infância. O dia em que a mãe faxinava as gavetas e jogava fora as peças que não tinham mais uso. Pijamas puídos, bermudas com elásticos laceados e as notáveis meias sem cônjuge.

Era a oportunidade perfeita. Logo ele e os garotos da rua davam um destino para elas e os outros trapos. O Fabinho era quem confeccionava a pelota sob pena de ninguém mais jogar, já que acreditava que só ele tinha a manha de fazer direito, ou pelo menos uma bola mais próxima de algo redondo.

Mas onde se meteu essa danadinha. De volta ao quarto, o pai sabia que tinha que encontrar uma saída inteligente. Tentar convencê-la de vestir outro par de meias que não aquele cor-de- rosa seria uma batalha injusta, para ele obviamente.

Como todo pai que se preze, deve ser muito esperto e saber sair de qualquer situação difícil. Ainda mais que não está na hora de Nina descobrir que ele não é o herói que ela fantasia. Então resolveu matar dois coelhos com uma cajadada só. E de volta ao quarto emendou.

–Nina, o papai já contou aquela historinha do reino encantando das meias fujonas.

– Não.

Existe um lugar onde todas as meias que não encontramos mais estão reunidas. Aquelas que fogem primeiro ficam comprometidas em buscar o par que ficou para trás em outra oportunidade. O principal motivo de elas fugirem é porque estavam cansadas de serem usadas por crianças que não lavavam os pés direito. Um dia se reuniram e resolveram fugir de casa...

Durante a narrativa a pequena adormeceu. Aliviado por ter conquistado mais essa vitória, o pai numa última tentativa, buscou pela peça no fundo da gaveta e felizmente a encontrou. Num devaneio que o fez rir de si mesmo interrogou:

–Aonde a senhorita pensa que vai?

Com todo cuidado vestiu os pezinhos da filha e correu para a pilha de papéis que impacientemente esperava na mesa.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Na minha opinião...


Sempre que um post de um blog, qualquer desses da vida, me chama atenção dou aquela espiada nos comentários, aliás, essa é a parte mais interessante. Tinha um professor na faculdade que sempre dizia que a interpretação, leitura, entendimento ia de acordo com a bagagem do sujeito. É verdade.

Mas o mais chocante é que uma simples opinião, desabafo pode tomar proporções gigantescas e batalhas homéricas são travadas, muitas vezes por causa de uma palavra mal interpretada, ou coisa do tipo.

Sabe aquela história de procurar “chifre na cabeça de cavalo”. Em um blog que descobri recentemente e que gostei muito, um pai faz um triste relato de um caso de racismo sofrido pelas filhas em um restaurante no Rio de Janeiro.

A gerente do estabelecimento “enxotou” as meninas por entender que se tratava de crianças de rua. Acontece que as pequenas estavam comemorando o aniversário de uma delas e por um motivo qualquer se ausentaram do ambiente. Quando retornaram foram abordadas, segundo o pai de maneira agressiva e grosseira.

O pai, que é jornalista, fez questão de divulgar o fato na mídia carioca, o que rendeu a demissão da gerente do local. Indignado também postou toda a história no blog pessoal e no site. O problema é que tem gente que parece não entender o que está escrito, ou não consegue juntar as peças, não sei.

E então tem início a celeuma. Alguém comentou que achava exagerada a atitude do pai de levar o caso para a imprensa e processar a casa pelo mau atendimento para com suas princesinhas. Daí vem outro e diz que aquele espaço era, sim apropriado para dizer o que estava entalado na garganta, no caso o ato racista da mulher, já que as crianças estavam bem vestidas, e, por isso, não poderiam ser confundidas com pedintes.

Então vem outro e diz que ele não se compadece pelos muitos que meninos de rua que são “enxotados” todos os dias dos shoppings, restaurantes, praças e portas de igreja. Mas, daí vem outro que acha que o que não pode acontecer é ser incomodado quando faz sua refeição, pois seria o fim do mundo ser importunado por esse tipo de gente. Até que alguém diz que só quem viveu na pele sabe o que é sofrer preconceito e outro reclama que não é preciso subir numa montanha para ver que ela é alta e por aí vai...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O homem que dividia




Era tão correto que fazia questão de comprar além dos itens necessários só para não deixar o atendente da venda sem troco. Não julgava certo comprar apenas um pacote de bolacha e pagar com uma nota de R$ 50. Onde já se viu?

Sempre oferecia o lugar no ônibus logo que percebia uma senhora com criança no colo, idoso, gestante ou pessoas com a mobilidade reduzida. Em alguns casos não ouvia nem um muito obrigado como recompensa pelo educado ato.

Declarava o imposto de renda no prazo estabelecido pelo fisco e assim era com o IPTU, água, luz, telefone e contas em geral. E nem por isso recebia desconto, já que pagar em dia é obrigação. Jamais tocou a direção do veículo embriagado. Se tinha para o táxi, bem, se não, aguardava o sol raiar e trazer-lhe a sobriedade de volta.

Ele não se sentia a vontade para mudar a estação de rádio quando estava tocando Bob Dylan. Não conhecia o trabalho do artista, mas era como se comete algum tipo de heresia. Tinha o maior cuidado ao fazer piadas, pois não queria correr o risco de parecer politicamente incorreto.

***

Na sexta-feira, saltou do coletivo e se encaminhava para o trabalho que ficava a duas quadras dali. O movimento era intenso. Ninguém queria ter que alongar o último dia de trabalho com horas extras, pelo menos a maioria.

No vai e vem dos passos apressados, no início da manhã, uma nota de R$ 100 reais reluzia no chão, artigo raríssimo, principalmente naquela altura do mês. O homem pegou o dinheiro e angustiado buscava entre os transeuntes o dono da garoupa.

Erguendo a nota ele perguntou se era de alguém. Pelo menos oito se diziam o pai da criança. O nosso herói não teve dúvidas e assim como o rei Salomão pensou em dividir aquela belezinha azul. Mas diferente da mãe que recusou a maternidade para não ver o filho morto, todos sem exceção, insistiram em ter a guarda da nota. Resultado. Ela encontrou oito novos lares.

domingo, 17 de abril de 2011

Pelo direito de barbarizar em paz


Notícia publicada pelo site Band news da conta de mais um caso de agressão causada pela intolerância. O fato ocorreu em São Paulo, cidade que possui grande diversidade de culturas e abriga gente do mundo inteiro. Esse fato mostra que nós brasileiros não vivemos tão harmonicamente assim como bradamos aos quatro ventos.

O que acho mais difícil de compreender é como um brasileiro que é fruto da maior mistura desse planeta se sente a vontade e no direito de apontar o outro e se colocar numa situação de “ser superior”, como se de fato existisse alguém melhor.

O que se passa na cabecinha dessa gente ignorante, desses seres irracionais? Deve ser algo do tipo: nós que não sabemos de onde viemos e nem pra onde vamos queremos a liberdade para nos expressar contra tudo aquilo que não aceitamos e, para demonstrar esse ódio por meio agressões nas modalidades verbal, física e psicológica.

Estamos numa democracia, num país livre. Como cidadão de bem, pagador de impostos luto pelo direito de exterminar no planeta todos aqueles que me causam ojeriza. Estão nesse grupo negros, viados, nordestinos, judeus, ou seja a escória da sociedade.

Não sei se tenho ascendência africana, talvez haja sangue negro correndo em minhas veias. Mais um motivo para não querer olhar no espelho. Minha bisavó pode ter sido judia, mas como não sei nada sobre minha árvore genealógica e nem quero saber, também tenho nojo desse tipo de gente.

Talvez meu pai, irmão, tio ou filho, neto que eu venha a ter seja gay, mais um motivo para eliminá-los o quanto antes da face da terra. Nordestinos nem sei por que eu os odeio mais sinto no meu íntimo que há um motivo justo para extirpá-los deste mundo. Emos também não são bem-vindos. Mas como o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) disse com educação ficamos livres disso.

sábado, 16 de abril de 2011

Filhinho da mamãe


Na foto que ilustrava um perfil de rede social, em vez do próprio nome, a mãe fizera questão de expor todo seu orgulho de ter um filho homem, “meu homenzinho”. É engraçado isso, ou triste, mas nós mulheres somos machistas. Pode até ser preconceito de minha parte, só que não consigo imaginar a mesma foto de uma mãe carregando uma garotinha e exclamando “minha mulherzinha”. Ainda não vi.

Mesmo com todas as mudanças que a educação dos filhos vem sofrendo ao longo da história, nada mais natural, a maior parte do tempo de convívio e educação das crianças ainda está a cargo das mulheres. Lógico que há exceções e pais participativos e tudo mais. É fácil perceber que algumas mães não incentivam os filhos a lavar a louça, limpar um banheiro ou aprender a cozinhar, mais uma vez, sempre tem as exceções.

Acontece que muitas de nós não vêem com muito bom olhos aqueles garotos muito dedicados na arrumação do lar. Pura bobagem. Como se a sexualidade de alguém fosse definida conforme as atividades domésticas realizadas. E se assim fosse, qual o problema?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Amanhã... quem sabe?


Alguém já disse para não deixar para amanhã o que você não vai fazer nunca. Uma grande pilha de papéis esperava pela boa vontade de Luciana que não chegava nunca. Era uma furada e tanto trazer trabalho para casa, mas não tinha outro jeito. Todos os colegas faziam a mesma coisa e ela não podia se dar ao luxo de ser diferente, afinal a empresa poderia entender que ela não estava tão compromissada quanto os demais, e isso, poderia resultar em uma prematura demissão. Bem que eu podia ganhar na loteria e me livraria de vez de ter que trabalhar, pensou.

Costumava apostar pelo menos duas vezes por semana em uma casa lotérica que ficava próxima ao trabalho. Quem sabe a sorte lhe batesse a porta um dia. Se isso acontecesse naquela noite chuvosa, ela acharia graça dos trajes da mulher. Meias, cada uma de uma cor; cabelos desgrenhados, o velho pijama descorado e manchado de café pela desajeitada contadora.

Ligava a TV, para ter a sensação de que estava acompanhada e como a noite prometia ser longa foi até a cafeteira buscar mais uma caneca da bebida. Nos seriados, filmes e novelas o café sempre estava quente, mas não na sua casa. Desastrada de mão cheia, os objetos criavam vida e caiam ao menor movimento. Mais uma mancha para a coleção seguida de um palavrão.

O relógio na parede da cozinha marcava 11h33. Lembrou que não havia apostado naquela semana. Sempre jogava no 33. Amanhã aposto sem falta. Na mesa os papéis estavam impacientes e ela sem coragem. Pegou o controle remoto e parou em filme que queria ver há muito tempo, mas sempre pegava pela metade. Vou locar o DVD no fim de semana. Antes de terminar a comédia, adormeceu.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Love song


Após ligar o rádio, no carro, Arnaldo viu a oportunidade de tocar no assunto. Ele se via na obrigação de escolher uma música que seria dos dois. Pra ele tudo devia ser como manda o figurino e acreditava que a música do casal era indispensável. Doralice não se importava com isso, mas para não chatear o namorado não deixava transparecer a falta de interesse no assunto.

—Dora, nós temos que ter a nossa música.

— Por quê?

— Como assim por que, você não é nenhum pouco romântica mesmo.

—Não é que eu não me considere romântica, só não vejo a obrigatoriedade de termos uma música nossa e caso venhamos a ter não acho que deveria ser escolhida.

— Qual música estava estourada no início do nosso namoro?

Rebolation, eu acho.

—Poxa, eu to falando sério.

—Eu também. Quando nos beijamos pela primeira vez era isso que estava tocando naquele quiosque que paramos para tomar um suco.

—É mesmo, não lembrava disso.

—Depois eu que não sou romântica.

—Se você não tivesse sido tão apressadinho a música ia terminar e aquele momento mágico não ficaria marcado dessa forma.

—Não sabia que assunto puxar, já tinha tomado todo suco e nem pensei nisso.

—Eu já disse que não me importo se não tivermos a nossa música. Tudo bem pra você?

—Fazer o quê.

No sinal fechado, num arroubo apaixonado, puxou seu amado pelo pescoço e aproveitou para beijá-lo, no breve espaço de tempo que a situação permitia.

Depois de noticiar como andava o tráfego no centro da cidade e anunciar mais um aumento do preço da gasolina que estava por vir, o locutor anuncia a próxima canção de sucesso (aquelas que tocam a cada quinze minutos por dias a fio).

— Esta é dedicada aos casais apaixonados. Continuem sintonizados. Agora são 13h33min

“...Te dei o sol, te dei o mar
Pra ganhar seu coração.
Você é raio de saudade,
Meteoro da paixão...”

— Ninguém merece – interrompendo o ato - Dora desligou o rádio

—A próxima música que tocar, em inglês, fica sendo a nossa

“...Have a baby by me, baby! Be a millionaire

Have a baby by me, baby! Be a millionaire

Have a baby by me, baby! Be a millionaire

Be a millionaire, Be a, Be a millionaire

Have a baby..”

— Quer saber Dora, não precisamos ter a nossa música

E desligou o rádio.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sempre tem a primeira vez

Muito ainda vai se falar e serão dias longos em que parece que só esse assunto merece ser mostrado, debatido e esmiuçado pela mídia ao máximo. Já aconteceu antes. Como se a mídia fosse uma entidade à parte e não fosse feita de pessoas de carne e osso. Afinal somos nós que escrevemos os livros, alimentamos blogs, sites, filmamos e produzimos todo tipo de informação que alimenta esse monstro mídia. Então como podemos culpá-lo do que quer que seja.

A tragédia no Rio não tem explicação. Não é culpa dos pais que abandonaram o Wellington Menezes de Oliveira, porque se assim fosse nenhum filho adotivo seria bem encaminhado na vida. Não é culpa da escola que não zelou pela segurança dos seus alunos, já que o rapaz estava determinado a executar seu plano sórdido e não deixaria transparecer que estava mal intencionado. Nada o impediria de agir como agiu.

As primeiras informações que tentam desvendar o que se passava com esse jovem apontam para uma possível vítima de bullying, assim como os responsáveis pelos massacres em algumas escolas norte-americanas. Essa reação violenta seria como uma vingança. Mas as vítimas foram escolhidas a esmo e por mais que se busque respostas elas jamais serão encontradas, estas serão sepultadas junto com o agressor.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Atira primeiro, depois pergunta


A sede de justiça cega. Destino. Coincidência. Sabe-se lá o que mais. O fato é que um homem, nem o primeiro e nem o último, estava preso há mais de 15 dias injustamente. A justificativa da detenção dele seria o assassinato da esposa. O infeliz é tão azarado que o seu nome e de sua mãe são idênticos aos nomes do verdadeiro culpado pelo crime e daquela que o pariu.

O mais curioso foi que a mãe da vítima reconheceu o servente de pedreiro, Reginaldo José da Silva, morador de Araraquara, no interior de São Paulo, como sendo o responsável pela retirada da vida da filha. A vontade de justiça dessa mulher é tão grande que ela foi capaz de ver o assassino no desafortunado homem.

Mesmo depois de solto e provando que estava em São Paulo, quando o crime ocorreu em Alagoas, Reginaldo terá que se apresentar perante o juiz daquele estado para ficar livre de vez da acusação.

O homem deve ter passado por um verdadeiro inferno, além de todos os incômodos e desconfortos devem existir nos mal afamados presídios brasileiros, ainda tem a desconfiança dos vizinhos, colegas de trabalho, já que nessas horas o telefone sem fio corre solto. Depois desse tempo perdido ele pretende retomar a vida de onde parou, mas marcado já está. Não tem volta.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Boa noite! Bom dia! Boa tarde!


... acidente mata quatro, criança é jogada no lixo, modelo se joga do décimo andar, piloto morre durante competição, conflito na Líbia, radioatividade no Japão, policial matando para fazer “justiça” com as próprias mãos, acidente mata família inteira, dengue faz mais x vítimas, criança encontra caco de vidro em refeição, irmãs são assassinadas a tiros, bomba explode em sala de aula, aluno é encontrado com arma em sala de aula, acidente na BR mata mais um, cartão postal pode cair a qualquer momento, imprensa argentina censurada, homofobia declarada contra jogador de vôlei, deputado racista e homofóbico acredita que está coberto de razão, acidente mata motociclista, pai estupra filhos, sobe o preço da carne, chuva destrói casas e deixa desabrigados e desalojados, estiagem provoca escassez de produtos agrícolas... e Boa noite se for capaz!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Coisificação

Um casal resolve tentar engravidar após inseminação artificial, um procedimento que não é barato, três meninas foram geradas. Depois de completo o período de gestação as crianças nasceram prematuras, em janeiro. Mas o fato estarrecedor que chegou aos noticiários brasileiros foi a rejeição declarada dos pais por um dos bebês.

Isso mesmo. Prematura e com um problema respiratório a neném deveria ter sido posta para adoção a pedido do pai, mas funcionários da maternidade acionaram o Ministério Público que retirou a guarda das crianças do casal. Eles desejavam apenas duas crianças.

Parece que os dois estavam em uma loja compraram os produtos, um apresentou um defeitinho e então eles decidiram devolver a encomenda. Quem cria um cria dois, e quem cria dois cria três. Belíssimos pais. Tomara que as crianças possam ser adotadas por uma família que realmente queira ter filhos.

Imagina a situação absurda:

— Amor, veio uma criança a mais e agora?

— Vamos devolver imediatamente, pois além de não vir exatamente na cor e tamanho que pedimos (idealizamos) não era exatamente o que imaginávamos.

— É uma afronta as pessoas de bem.

—Vamos procurar o Procon imediatamente.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Bem que poderia ser mentira


O cartão postal da capital catarinense, a Ponte Hercílio Luz, comemora 85 no próximo mês. A belíssima ponte ainda não sabe quando terá pessoas circulando por ela novamente. Há anos que está em reforma, e pasmem, ainda faltam R$ 170 milhões para que tenha a reforma concluída.

Esse valor, uma verdadeira fábula, não se sabe de onde será tirado. Então me pergunto, mesmo com toda a importância histórica e arquitetônica será que vale a pena investir toda essa grana no monumento? Num país que sabemos de todos aqueles velhos problemas como: educação, saúde, segurança, habitação, emprego, etc.

E agora? Não me parece justo aplicar esse montante apenas para manter a velha ponte de pé. Insensível (ou qualquer outro adjetivo)? Pode ser. Mas não me entra na cabeça gastar essa verba na obra, ainda mais com os notórios casos de corrupção e desvio de dinheiro nesse país.

De repente o dinheiro chega aos cofres públicos e com a sua chegada vem também o receio de um novo desvio. Caso isso vier a acontecer não seria novidade, não é mesmo? Velha ponte quem me dera esse valor fosse pegadinha de 1o de abril.