
Pelo menos uns quinze. Treze para ser menos exata. Aglomerados na portaria, os meninos negociam com o porteiro algum tipo de “relaxamento” nas regras do condomínio. Parece que teve acordo. Com o frio que faz nesta época do ano é de se espantar que as crianças tenham disposição para brincar ao relento, talvez me surpreenda por ter esquecido como foi um dia divertido brincar mesmo com o frio cortante.
Não lembro onde, se num conto, filme, história contada; uma senhora relatava que estava feliz, pois desde a infância não tinha oportunidade de se molhar na chuva e finalmente estava feliz por finalmente, após todos aqueles anos poder fazê-lo.
Na semana passada estive no Sul do Estado e tanto na ida como na volta lembrei como corria nos trilhos da ferrovia sem desequilibrar, era um gesto automático, aliás, todas as crianças que retornavam da escola faziam o mesmo e era a coisa mais natural do mundo. Por que vamos perdendo nossos superpoderes com o passar dos anos?
Outro dia minha mãe relatava a facilidade com que se embrenhava nos matos para caçar quando moleque, ela mesma se retrata assim. Hoje, coincidentemente, apesar de morar na cidade, a casa fica próxima de uma área verde, dona Fátima reconhece que se precisasse entrar num matagal novamente não teria coragem, muito menos de matar passarinhos, um hobby de infância (politicamente e ambientalmente incorreto). Agora ela afirma ser capaz de agredir alguém que maltrate qualquer bichinho perto dela, virou protetora honorável em tempo integral.
Mas menos de duas horas depois o silêncio voltou a reinar. Vamos aos prováveis culpados. Mães que chamam para o jantar e banho, não necessariamente nesta ordem. Deveres escolares que clamam para ser resolvidos, na minha época a popular: tarefa, o porteiro que resolveu voltar atrás no trato ou ainda o videogame e a internet. O frio é que não foi o vilão desta história.
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